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A cirurgia laparoscópica surgiu no Brasil em meados de 1990 e desde então tem tido cada vez mais indicações com excelentes resultados, incluindo a retirada da vesícula, correção de hérnia do hiato e, mais recentemente, as cirurgias bariátricas para o tratamento da obesidade.

Para a realização de uma operação por laparoscopia são realizadas algumas pequenas incisões de 0,5 a 1,2 cm. Insufla-se a cavidade abdominal com gás carbônico, criando assim espaço dentro dela para que o cirurgião possa trabalhar com o auxílio de uma videocâmara, instrumentos e grampeadores especiais. No entanto, a ausência de grandes cortes no abdômen não é a única grande vantagem da laparoscopia. Secundariamente às pequenas incisões, existe menor manipulação dos órgãos intracavitários e, conseqüentemente, a agressão cirúrgica é menor, acarretando enormes vantagens desse método quando comparado com a cirurgia convencional. A esses benefícios soma-se a menor intensidade da dor pós-operatória, medida diretamente pela menor quantidade de analgésicos consumida pelos pacientes no pós-operatório e, coroando as vantagens, a alta hospitalar mais precoce e o retorno mais rápido às atividades diárias.

Visto isso, a laparoscopia só tem vantagens? Obviamente não. A insuflação de gás carbônico no abdômen pode provocar alterações no organismo, mas essas são facilmente controláveis, efêmeras e reversíveis, principalmente se a equipe cirúrgica contar com um bom anestesista. Embora ainda possam existir limitações técnicas e anatômicas que dificultem a cirurgia laparoscópica, essas situações são cada vez menos freqüentes (mas ainda possíveis) com o passar do tempo e melhor treinamento do cirurgião.

Falando então da laparoscopia no tratamento da obesidade mórbida, observamos a tendência e consenso mundial comprovado em diversos estudos de que a perda de peso é semelhante na laparoscópica e convencional (em alguns trabalhos até melhor), com menor tempo de internação, menor intensidade de dor e índices de complicações iguais ou menores e com a vantagem da ausência de corte grande no abdômen. As hérnias dos cortes (hérnias incisionais) acontecem em até 30% das operações convencionais em obesos mórbidos, enquanto que na laparoscopia, como as incisões são diminutas, elas são bem menos freqüentes (0,2%).

A laparoscopia veio para ficar e cada vez mais será realizada para o tratamento cirúrgico da obesidade mórbida e superobesidade. Após anestesia geral, utiliza-se normalmente 5 punções que variam de 0,5 a 1,2 cm. Os passos principais do bypass são a confecção do pequeno reservatório gástrico, que, em nossa prática, tem sido feita com o auxílio de endoscopia intra-operatória, e a interposição da alça intestinal entre o novo estômago e a continuidade do trajeto dos alimentos. Para isso são utilizados grampeadores e instrumentos especiais. A gastroplastia com bypass em Y de Roux por laparoscopia é uma operação difícil e somente cirurgiões bem treinados devem se propor a realizá-la.

Hoje, após muitos casos operados, o tempo médio de duração da operação é de 90 a 100 minutos e o índice de conversão para cirurgia aberta com incisão é baixo (2%). A média de internação hospitalar tem sido de 36 horas e o paciente alimenta-se com líquidos no primeiro dia de pós-operatório. A dor no pós-operatório de cirurgias laparoscópicas é de menor intensidade que das operações convencionais e tem fácil controle com analgésicos comuns.