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A obesidade é uma doença epidêmica. Tem-se buscado soluções para a obesidade mórbida, que é de conhecimento geral causadora de morte e de doenças severas. Porém, o que é colhido nessa população de obesos severos (IMC maior que 35 com doenças associadas ou maior que 39, ou finalmente 40 kg acima do peso ideal) é um índice de insucesso de 95% em qualquer tratamento clínico, seja ele com dietas ou remédios.

Para a adoção de qualquer terapia médica, principalmente a cirúrgica, deve-se pesar muito equilibradamente o risco operatório versus o risco da doença a ser tratada. Na obesidade severa, é indubitável e estatisticamente comprovado que o risco da doença é infinitamente maior que os potenciais riscos do tratamento operatório.

O tratamento cirúrgico é a melhor opção hoje. Existem diversas opções adequadas para cada paciente. Porém, tem ficado cada vez mais claro que o acesso laparoscópico é o mais benéfico para o paciente, já que são reduzidos o tempo de internação, a dor e o período de afastamento das atividades diárias. As complicações do tratamento cirúrgico laparoscópico da obesidade são hoje menores que aquelas da cirurgia convencional, desde que ela seja realizada por equipe experiente.

Dentre as opções hoje no arsenal cirúrgico, contam principalmente 2 técnicas, a da banda gástrica ajustável, que é uma operação puramente restritiva, isto é não leva a nenhuma má absorção de nutrientes e o bypass gástrico em Y de Roux, que tem papel restritivo da câmara gástrica, associado a certo grau de má absorção de gorduras e carboidratos. A primeira, ainda não aprovada pelo Ministério da Saúde do Brasil e pelo FDA dos EUA, é uma opção que, apesar de ter menor porte operatório, acarreta, em boa parte dos pacientes, perda de peso limitada, cerca de 15 a 25% do peso em 12-18 meses, às custas de controles e insuflações periódicas da mesma para restrição gástrica. É uma opção com limites de indicação cirúrgica, por não dispormos ainda de dados que assegurem sua eficiência. Podem ocorrer algumas complicações severas no pós-operatório das bandas gástricas, como escorregamento da banda, erosão de estômago, esôfago, infecção do local de insuflação, vômitos e desconforto, além da falha na perda ponderal.

O Bypass Laparoscópico tem resultados excelentes no que tange à perda ponderal, com média de 30-40% do peso ou 70-80% do sobrepeso entre 12 e 18 meses. Complicações severas existem, mas são infreqüentes, como vazamentos das costuras entre o estômago e o intestino. Quando comparado com o bypass convencional, além de essencialmente serem as mesmas operações, a laparoscopia conta com virtualmente 0 (ZERO) complicações de incisão cirúrgica, já que elas são pequenas (de 0,5 a 11 mm). A cirurgia convencional tem cerca de 15 a 30% de hérnias na incisão cirúrgica além de tempo maior de hospitalização. Na laparoscopia ele é de em média 48 horas.

Falando-se de tempo de inatividade, as operações convencionais afastam o paciente em média de 2 a 3 semanas, enquanto que nas operações laparoscópicas a média de retorno às atividades é de 7 dias.

É consenso mundial que o tratamento cirúrgico da obesidade tem como futuro a via laparoscópica. A quase total substituição das grandes incisões só será mais lenta, por exemplo, do que foi a adoção da videolaparoscopia para a retirada da vesícula biliar (hoje nos EUA cerca de 96% das retiradas de vesícula são laparoscópicas) porque trata-se de cirurgia complexa e avançada, que tem curva de aprendizado lenta. Por isso é fundamental deixar bem claro que o tratamento cirúrgico por laparoscopia da obesidade é seguro e que tem excelentes resultados, desde que seja realizado por cirurgião treinado em laparoscopia avançada.